Literatura: Cordel

Por: Laila | Em: 05.04.2008 - 1:17 am | Tags:

História:
Da poesia popular foi trazido o cordel, originalmente oral e depois impressa, em folhetos rústicos, expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis. São escritos de forma rimada, sendo ilustrados com xilogravura*. Na versão oral, os autores, mais conhecidos como cordelistas, recitam versos em melodia cadenciada, acompanhados de repentes.

Origem:
A história dessa literatura começa com um autos luso-espanhol, por volta do século XVJ. O nome cordel está ligado à forma de comercialização destes folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões. Alguns deles, além de serem cantarolados por repentistas, viraram peças de teatro, nas mãos de cordelistas como Gil Vicente. Os portugueses trouxeram o cordel para o Brasil na segunda metade do séc. XIX e, embora seja pouco frequënte, também há criações de cordel em prosa.
Esse tipo de literatura popular também pode ser encontrado na Itália, Espanha, México e, como de origem, em Portugal. Na Espanha e México são chamados de pliegos sueltos e, no ano de 2007, comemorou-se 100 anos.

Temáticas:
As temáticas dos cordéis variam sobre os fatos cotidianos, lendas, religião e episódios históricos, como as façanhas de Lampião e o suídio de Getúlio Vargas, que são os de maior tiragem e vendas.
Os autores geralmente improvisam versos de acordo com um acontecimento ou alguém que queiram homenagear. Aqui no Brasil, a produção é tipicamente nordestina, concentrando-se mais nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, sendo vendidos em feiras livres, de livros ou de produtos nordestinos.

Aspectos:
Pelo fato dessa literatura ser distribuida nas ruas, feiras e botequins, e também por ser popular, o cordel foi, durante muito tempo, pouco apreciado. Em todo caso, existem inúmeros aspectos interessantes para seguirem à frente na leitura, como tais:

- O fato de seus divulgadores e autores participarem da arte do cotidiano e tradições populares, a manutenção da literatura de cordel é de grande valia, valorizando, assim, o folclore nacional;

- Por serem lidas em sessões públicas e terem o potencial de atingir um elevado número de exemplares distribuídos, acabam ajudando na disseminação da cultura, o hábito da leitura e luta contra o analfabetismo;

- A maioria dos temas cobrem a crítica social, política e são textos de opiniã, elevando o cordel ao estandarte de teor didático e educativo.

Principais autores:
Zé Limeira;
José Gonçalves;
José Alves Sobrinho;
Leandro Gomes de Barros; e
João Martins de Athayde.

Para maiores informações e como adquirir, visitem o site da Academia Brasileira de Literatura Cordel.

(*)xilogravura: técnica de gravura na qual se utiliza madeira como matriz e possibilita a reprodução da imagem gravada sobre papel ou outro suporte adequado. È um processo muito parecido com um carimbo.

Fontes:
Academia Brasileira de Literatura Cordel
Dicionário Aurélio
Dicionário de Cordel
Batista, Abraão. Antologia do Cordel, vol. I.

PS do Editor: tive problemas com o artigo da VIP, mas no máximo segunda-feira está no ar!

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